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Bem-aventurados os pobres de Espírito – Elda Evelina

Link para o áudio da palestra – www.grupoirmaoestevao.org/?resource=bem-aventurados-os-pobres-de-espirito-elda-evelina

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Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus Mt 5:3

Encontramos em A Gênese:

“A vossa verdadeira pátria não é neste mundo, mas no reino celestial, lá onde os humildes de coração serão elevados e os orgulhosos serão humilhados.” A Gênese Cap. I Caráter da revelação espírita, item 23

“Somente o progresso moral pode assegurar aos homens a felicidade na Terra, refreando as paixões más; somente esse progresso pode fazer que entre os homens reinem a concórdia, a paz, a fraternidade.” A Gênese, Cap. XVIII, São Chegados os tempos, item 19

A doutrina espírita nos ensina que nossa meta é a de alcançar a condição de espíritos puros e nos elevarmos ao Mundo Celeste, ou Divino. Este é o reino celestial de que fala A Gênese, a que os humildes de coração serão elevados.

Jesus afirmou, como está registrado em Lucas 17:21: “O reino de Deus está dentro de vós.”

Podemos traçar um paralelo entre essas afirmativas e concluir que já reside em nós o reino celestial. No entanto, não temos dele consciência, certamente em razão das nossas limitações, ignorância quanto aos ensinamentos do Mestre e de como alcançar este reino que já faz parte da nossa essência como espíritos.

O orgulho é uma de nossas deficiências mais importantes, pois dela resulta tantas outras como a vaidade, a soberba, a imprudência, o egoísmo, a arrogância, impertinência, impaciência.

Encontramos ainda em A Gênese que só o progresso moral pode assegurar felicidade, decorrente da concórdia, da paz e da fraternidade.

Jesus convocou-nos: Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai celestial. “ Foi o chamamento para que buscássemos o nosso progresso espiritual, a partir da consciência e exercício dos seus ensinamentos.

Também encontramos as palavras do Mestre no Evangelho de Marcos 4:22: “Porque nada está encoberto senão para ser manifesto; e nada foi escondido senão para vir à luz.”

A Leis de Deus estão gravadas na nossa consciência. É parte integrante do corpo espiritual que nos identifica como Ser. Daí podemos afirmar sabermos tudo o que nos é necessário para que sigamos nessa jornada terrena com segurança e firmeza de propósitos.

O que nos falta então para alcançar o reino celestial que já se encontra em nós?

Certa vez ouvi a afirmativa de que todas as virtudes têm como morada o reino de Deus. Se o reino de Deus está dentro de nós, elas têm como morada o nosso Ser.

Por que então não somos perfeitos, ou mesmo temos grande dificuldade nesse processo de progredirmos espiritualmente?

É porque essas virtudes precisam ser iluminadas para que venham a se expressar de modo a percebermos sua presença em nós.

Como então poderemos iluminar as nossas virtudes?

Quando cumprirmos as Leis de Deus que também já se encontram conosco, como uma grande expressão do amor e misericórdia do Criador.

Não é difícil, então, chegarmos à conclusão de estar presente em nós tudo o que nos tornaria competentes a alcançar a felicidade, a excelência moral, a perfeição. Enfim, a elevarmo-nos ao Mundo Celeste ou Divino.

Assim sendo, precisamos desenvolver as virtudes que já se encontram em nós, iluminá-las por estarem embaciadas por nossa condição evolutiva ainda incipiente.

A felicidade a que estamos destinados, a partir do momento da nossa criação, como espíritos, está diretamente ligada ao desenvolvimento, à iluminação de nossas virtudes. Isso ocorre na medida em que respeitamos as Leis que Deus, sabiamente, inscreveu em nossas consciências.

Quando descumprimos alguma dessas Leis, impedimos a nós mesmos de sermos felizes. Desviamo-nos do caminho, da nossa senda redentora.

É triste percebermos o quanto ainda nos indispomos ao aprendizado e ao cumprimento das Leis de Deus. Não podemos sequer negar ter delas conhecimento, já que inscritas em nossa consciência.

Mesmo que não as tenhamos de forma explícita em nossas mentes, sabemos quando nos desviamos dos princípios essenciais ao nosso progresso. Há uma sabedoria a alertar-nos constantemente, mas fazemo-nos de surdos às intuições e às orientações que afloram em nossas mentes a todo tempo. Não queremos ouvi-las, preferimos seguir buscando as luzes exteriores a ofuscarem nossa visão, os prazeres que sensibilizam nossos sentidos, exacerbando nossas percepções e emoções de tal maneira que não permitimos que as “vozes” interiores, advindas da consciência, se expressem com vigor orientando-nos para a direção do amor, da elevação moral e, portanto, da felicidade.

Jesus certa vez disse:

“Vós sois a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte; nem os que acendem uma candeia a colocam debaixo do alqueire, mas no velador, e assim ilumina a todos que estão na casa.

Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.” Mt. 5:14-16

As nossas virtudes são a luz que Cristo disse que temos em nós. A questão é que estão envolvidas pelas sombras de nossos vícios, nossos pensamentos negativos, pela mágoa, pelo orgulho, pela vaidade…

Ao dizer que devemos iluminar nossas virtudes significa precisarmos deixar que elas brilhem em nós.

“Bem-aventurados os pobres de espírito, pois que deles é o reino dos céus. “ Mt 5:3

Devemos acatar esta afirmativa do Mestre como um importante chamamento.

É certo que todos nós queremos alcançar a verdadeira pátria que nos aguarda, como prometido por Jesus.

Para alcançarmos essa graça, essa beatitude, precisamos ser humildes de coração. Afastar o orgulho e outras expressões menos nobres do nosso modo de viver.

Em o Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. VII, item 4 encontramos:

“Dizendo que o reino dos céus é dos simples, quis Jesus significar que a ninguém é concedida entrada nesse reino, sem a simplicidade de coração e humildade de espírito; ”

Traz-nos o evangelista Mateus, quando Jesus chama os doze apóstolos e aproxima-se a mãe de Tiago e João:

Aproximou-se dele, então, a mãe dos filhos de Zebedeu, com seus filhos, ajoelhando-se e fazendo-lhe um pedido.

Perguntou-lhe Jesus: Que queres? Ela lhe respondeu: Concede que estes meus dois filhos se sentem, um à tua direita e outro à tua esquerda, no teu reino.

Jesus, porém, replicou: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu estou para beber? Responderam-lhe: Podemos.

Então lhes disse: O meu cálice certamente haveis de beber; mas o sentar-se à minha direita e à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles para quem está preparado por meu Pai.

Estarmos ao lado de Jesus requer que tenhamos sido preparados pelo Pai. Por certo, o termos cumprido as Leis de Deus e iluminado as nossas virtudes já contidas em nós e não mais envolvidas pelo nosso orgulho que não as permitia resplandecerem

Lembra-nos, ainda, o Evangelho Segundo o Espiritismo o que foi registrado por Mateus:

o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida pela redenção de muitos. ” (Mt. 20:28)

Jesus foi a expressão máxima da humildade desde o nascer. Por ocasião da celebração da Páscoa com os discípulos, ele lavou seus pés, vestido por uma toalha com a qual os enxugou e disse-lhes:

”Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” (João 13: 13 e 14)

E acrescentou:

” Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as praticares.” (João 13;20)

Diz-nos Emmanuel em “O Consolador”, questão 225: No turbilhão das tarefas de cada dia, lembrai a afirmativa do Senhor: – “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”. Se vos cercam as tentações de autoridade e poder, de fortuna e inteligência, recordai ainda as suas palavras: – “Ninguém pode ir ao Pai senão por mim”. E se vos sentis tocados pelo sopro frio da adversidade e da dor, se estais sobrecarregados de trabalhos no mundo, buscai ouvi-lO sempre no imo d’alma: – “Quem deseje encontrar o Reino de Deus tome a sua cruz e siga os meus passos”.

Bem-aventurado aquele que se expressa com humildade e se apresenta como servo do Senhor, submisso às Suas Leis, já inscritas em sua consciência, iluminando suas virtudes contidas no Reino de Deus já presente em seu Ser espiritual.

 

Podemos perguntar então: se o Reino de Deus está em nós, por que razão não o percebo em mim?

Há uma história que nos leva a refletir sobre esta questão:

No fundo de um lago, de água cristalina, há uma pérola de valor inestimável. Entretanto, para que a pérola possa ser vista da superfície, é indispensável que as águas estejam tranquilas; se estiverem agitadas pelo vento, a pérola continuará no mesmo lugar, mas não poderá ser vista. A porção de água do lago corresponde à nossa alma. Da mesma forma que não dá para enxergar através das águas agitadas, não dá para perceber o Reino de Deus através de nossas almas agitadas. Apenas quando as águas serenam, a pérola pode ser vista. Da mesma forma, apenas quando a alma for serenada, quando tivermos a nossa alma livre das perturbações inerentes ao apego a questões materiais, o Reino de Deus, que é a mais valiosa entre todas as pérolas, poderá ser percebido. (autor desconhecido)