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Caridade material e Caridade moral – Elda Evelina

Áudio do estudo

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Qual o princípio que nos rege quanto ao comportamento que deveremos ter diante da vida, seja no plano físico ou no plano espiritual?

É o seguir as Leis Divinas, que estão registradas em nossa consciência.

O que Deus espera de nós, espíritos, ao termos sido criados por Ele?

Que sejamos felizes.

Qual o caminho que deveremos seguir para alcançar essa condição esperada pelo Pai?

Desenvolvermos nossas virtudes e cumprirmos nossos propósitos, ou seja, buscarmos a aproximação cada vez mais estreita com o cumprimento das Leis.

Qual o mandamento maior que Jesus trouxe para que cumpramos?

“Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento.

Este é o grande e primeiro mandamento.

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Mt. 22:37-39)

Qual o sentido que deveremos aplicar ao “Amar ao teu próximo como a ti mesmo”?

Temos consciência de que ainda estamos distantes do alcançar a condição de oferecer um amor incondicional ao nosso próximo, quando ainda não o conseguimos com relação a nós mesmos. Podemos perceber que muitas vezes nos julgamos, sentimo-nos culpados por atitudes tomadas impensadamente, vivenciamos sentimentos que nos afligem emocional e moralmente e, nesses momentos, pode parecer-nos não sentir amor verdadeiro por nós mesmos.

Valemo-nos desse sentimento para perceber que muitas vezes ainda não conseguimos nos perdoar e a consciência desse fato traz-nos sofrimento e sem qualquer condição de cumprir o mandamento que o Mestre nos deixou. Como poderemos amar o nosso próximo se não conseguimos sequer amar a nós mesmo?

Aqui então uma colocação oferecida por um palestrante e que me fez refletir. Nós podemos amar ao próximo na medida em que amamos a nós mesmos. Este é o amor que já conseguimos alcançar. Então, ofereçamos este amor ao nosso próximo.

Ao conseguirmos ampliar a intensidade do autoamor, também teremos condições de estendê-lo na mesma medida ao nosso próximo.

Por certo, chegará um dia em que conseguiremos atender ao chamado do Mestre quando de seu encontro com os discípulos por ocasião da última ceia:

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós…” (Jo 13:34)

Podemos agora começar a refletir sobre a caridade, sentimento de valor inestimável que enobrece os corações e acalenta almas sofridas a estarem por esse mundo ainda de aflições e ações menos nobres – Mundo de expiações e provas.

Todos nós, nesse período em que a existência terrena ainda se expressa pela dor, pelo sentimento de fraternidade ainda frágil nos corações, pouco conseguimos ter a percepção da verdadeira caridade.

O que é Caridade material?

É a doação de bens materiais: dinheiro, roupas, utensílios diversos.

No entanto, para que seja considerada como Caridade terá que ser envolvida pelo sentimento fraternal, pelo amor. Caso contrário, Não será Caridade, será esmola.

Muitos de nós ainda confundem caridade com esmola.

Diz-nos o espírito Cárita em o Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. XIII, item 14):

Várias maneiras há de fazer-se a caridade, que muitos dentre vós confundem com a esmola. Diferença grande vai, no entanto, de uma para outra. A esmola, meus amigos, é algumas vezes útil, porque dá alívio aos pobres; mas é quase sempre humilhante, tanto para o que a dá, como para o que a recebe. A caridade, ao contrário, liga o benfeitor ao beneficiado e se disfarça de tantos modos! Pode-se ser caridoso, mesmo com os parentes e com os amigos, sendo uns indulgentes para com os outros, perdoando-se mutuamente as fraquezas, cuidando não ferir o amor-próprio de ninguém. (…) podeis sê-lo na vossa maneira de proceder para com os que não pensam como vós, induzindo os menos esclarecidos a crer, mas sem os chocar, sem investir contra as suas convicções e, sim, atraindo-os amavelmente às nossas reuniões, onde poderão ouvir-nos e onde saberemos descobrir nos seus corações a brecha para neles penetrarmos. Eis aí um dos aspectos da caridade.

Podemos até acrescentar que, mesmo quando cremos estar tão simplesmente oferecendo uma esmola, se em nosso coração estiver presente o sentimento fraterno pelo irmão a quem estejamos querendo ajudar, esta esmola estará enobrecida pela nossa emoção naquele momento.

No entanto, se a esmola estiver envolvida tão só pela vibração de se estar cumprindo uma obrigação, ou até mesmo pelo orgulho em sentir-se superior ao necessitado, essa ação terá a feição mencionada pelo espírito Cárita – ser humilhante para quem a recebe.

Importa que nos percebamos atentamente para identificar qual a forma como nos comportamos quando estamos oferecendo algo a alguém, com o intuito de auxiliá-lo materialmente.

Poderemos considerar também como caridade moral o doar algo material, desde que haja nesta atitude, o sentimento fraterno envolvendo o que está sendo oferecido ao companheiro de jornada.

É quando podemos identificar nossa atitude como um ato de amor. Caridade é amor em ação  é oferecer algo de si mesmo, pois tudo mais só nos foi oferecido por empréstimo. É tornar útil, para alguém, aquilo que temporariamente está sob nossos cuidados.

O que é Caridade moral?

É tudo o que podemos oferecer a um companheiro de jornada e que não seja material: afeto, consolo, um ombro amigo, conforto emocional.

Saber ouvir também é muito importante. Nem sempre sabemos ouvir, costumamos começar a falar algo, por vezes sem ao menos deixar que o outro conclua seu pensamento ou expresse a sua dor.

Também o dizer não, quando necessário, é uma forma de caridade moral. Uma das maneiras é dizer o não sabendo explicar a razão, como também saber expressar a negativa, de forma fraterna. Deverá ter o toque do amor.

É saudável percebermos que no convívio diário há inúmeras oportunidades para expressarmos nossa caridade moral.

Importante termos em mente que ela será verdadeira na medida em que sejamos sinceros, fraternos, nossas palavras e ações sejam oferecidas com o toque do amor.

Emmanuel nos diz estarmos imersos na energia de Deus.

Sabemos, pelo que a doutrina nos diz, que estamos imersos no Fluido Cósmico Universal. Creio que podemos inferir, então, que este fluido está impregnado da energia de Deus.

Em sabendo disso, é interessante refletirmos sobre o estarmos envoltos por esta energia.

No entanto, pouco nos deixamos perceber essa realidade e sabermos fazer bom uso desse amor que nos envolve.

O sentimento fraterno passa a fazer parte da nossa essência à medida que nos permitimos fazer contato com essa energia divina a nos envolver e deixarmo-nos ser impregnamos por ela.

Enquanto não conseguimos ser assim naturalmente, devemos buscar a prática através da disciplina diária e constante, até que a expressão desse amor seja um fluir expontâneo.

Lembrando as palavras de Paulo, I Coríntios 13:1-13:

“A suprema excelência do amor (ou caridade)

Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o címbalo que retine.

E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

E ainda que distribuísse todos os meus bens para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não se vangloria, não se ensoberbece, não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal; não se regozija com a injustiça, mas se regozija com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

(…) Quando eu era menino, pensava como menino; mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.

(…) Agora, pois, permanecem a fé, a esperança, o amor, estes três; mas o maior destes é o amor.”

Caridade moral é oferecer de si mesmo a outrem. Doar nosso tempo em trabalho útil que venha acalentar corações, aquecer a Alma de alguém que esteja frágil, sofrido, tanto por dores físicas como também por dores morais, emocionais.

É acolher em nossos braços um companheiro de jornada proporcionando conforto, consolo, palavras amigas com a emoção do amor existente em nós.

Oferecer oportunidades para que alguém consiga reerguer-se de situações constrangedoras, encontrando caminhos a se abrirem a novos horizontes em raios de luz e esperança.

Ainda que não tenhamos bens materiais para oferecer a um irmão em Cristo, podemos fazer por ele uma prece, envolvendo-o com sentimento fraterno e vibrações que possam fortalecê-lo espiritualmente.

Lembremo-nos aqui de uma máxima citada desde a antiguidade.

Há registros de que Confúcio já teria dito: “Não façais aos outros o que não quereríeis fosse feito a vós”.

Jesus traz este mesmo princípio, só que na forma afirmativa:

“Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós a eles; porque esta é a lei e os profetas. “ (Mt. 7:12)

Alguns podem perguntar se Jesus tão-somente reafirmou o que, na antiguidade, já trouxera Confúcio.

Podemos então traçar uma linha de pensamento.

Jesus, o Cristo, nosso Coordenador planetário e guia espiritual (Questão 625 de o Livro dos Espíritos), em estando conosco desde o planejamento do Sistema Solar e, por conseguinte, também desde a formação do orbe terrestre, já terá intuído os grandes pensadores e filósofos da antiguidade. Em assim sendo, Confúcio também terá sido intuído e instruído para já nos trazer a mensagem, desde tempos remotos.

Jesus, ao vir até nós há dois mil anos, só reformulou a reflexão, enaltecendo a necessidade de agirmos positivamente, ao invés de deixarmos de fazer algo que não deveríamos fazer.

O Mestre quer que passemos a assumir a atitude de realizar algo de bom, não apenas que deixemos de praticar o mal. Precisamos ter consciência de nossos compromissos perante a vida, somos seres de ação e não de inércia.

A atitude positiva deve fazer parte do nosso caminhar como espíritos. Não nos deixemos envolver em vibrações menos nobres como orgulho, vaidade, rancor, mágoa e outros assemelhados.

Muitas vezes deixamos de fazer uma caridade, seja material ou moral, por guardar em nossos corações alguns ranços do passado em relação a pessoas ou instituições.

Além de deixarmos de ter uma atitude positiva, nobre, acrescentamos essa emoção negativa aos compromissos pelos quais deveremos responder quando por jornadas futuras em experiências físicas, ou em planos sutis.

Encontramos em o livro O Céu e o Inferno, Cap. VII – Código penal da vida futura:

16º – O arrependimento, conquanto seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só; são precisas a expiação e a reparação.

Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas consequências. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação; só a reparação, contudo, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Do contrário, o perdão seria uma graça, não uma anulação.”

Reflitamos sobre isso e usemos nosso Livre Arbítrio para atitudes positivas, nobres e enobrecedoras, fraternas.

Libertemo-nos de sentimentos negativos que ainda guardamos na Alma e que só prejudicam e atrasam nosso processo evolutivo, como também vêm a prejudicar companheiros de jornada, seja por inércia nossa, seja por atitudes inerentes a um espírito ainda “menino”, como diz Paulo em sua primeira epístola aos Coríntios.

Cresçamos moral e espiritualmente e permaneçamos na fé e na esperança e no amor, conscientes de que o maior desses é o amor.

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Solidariedade

Sempre existirão aqueles que sofrem, vêm suas dúvidas permanecerem e, sem alento, podem até pensar em pôr fim aos seus dias aqui na Terra, achando que, assim, porão fim aos seus sofrimentos e angústias.

Em vão suas tentativas, porque em outro plano continuarão suas tormentas e angústias com maior poder de exaustão e de dor, pois verão com mais clareza os motivos que os levaram ao estado em que se encontram e, se não houver a compreensão com Cristo, virá o desalento e a desesperança.

Então, qual seria a participação de nós cristãos e de todos aqueles que se dispõem a trabalhar em prol dos menos favorecidos, se não o trabalho de amor, de acolhimento, de aconchego amoroso, carinhoso.

Precisamos estar mais atentos no nosso dia-a-dia. A todo momento encontramos amigos de jornada em desequilíbrio e desesperança e nada custa acolhê-los em nosso colo espiritual e fazê-los sentir que existem pessoas que os ama e compreendem e querem oferecer seu ombro amigo e fraterno.

O que nos custa um sorriso acolhedor, uma palavra de conforto e esperança, um aperto de mãos, um abraço caloroso e reconfortante, um sopro de vida a energizar o seu corpo e alma. Podemos oferecer um pouco de nós mesmos para o reerguimento de alguém que sofre e desespera.

Caso não estejamos próximos, que tal uma prece, uma doação à distância, um telefonema, uma carta, um recado amigo? Será que é tão difícil para nós fazermo-nos presentes em horas difíceis, quando mais se apresentam necessárias as provas do nosso carinho, do nosso afeto?

Lembrem-se, irmãos, mantenham-se presentes seja como e onde for. Uma presença amiga, uma palavra de carinho, de afeto, pode mudar totalmente a direção que possam estar tomando as vidas de vários companheiros de jornada.

Sejamos cristãos verdadeiramente sendo trabalhadores afinados com o Evangelho de nosso mui querido Mestre Jesus.

Amar, amar e amar, sempre, com Cristo no coração.

Paz,

Jafeh de Nephertah, por Elda Evelina

Mensagens – Livro III, Bookess Editora

WRITTEN BY: Elda Evelina

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