Família na visão do Espiritismo – Palestra de Cristina Leite

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Transcrição da parte final da palestra “Família “, proferida por Cristina Leite no Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Estêvão no dia 29 de agosto de 2014

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É importante que a família exerça o seu papel determinante no processo evolutivo dos seus integrantes. E esse papel no processo evolutivo se dá com a evangelização de cada de nós. E a evangelização nada mais é do que despertar em nossos corações a importância da prática dos ensinamentos de Jesus no nosso dia-a-dia.

Sabemos da importância do amor, da compreensão no trabalho e do esforço como mecanismos que nos alavancam a sermos pessoas melhores.

E não há ambiente mais favorável para exercitar tudo isso do que o ambiente familiar.

Sempre afirmamos que é muito fácil fazer a caridade na casa espírita. Sermos tolerantes na casa espírita. Sermos agradáveis e amáveis e às vezes contidos no nosso ambiente de trabalho. Porque nesses locais nós usamos aquela capa do verniz social. Às vezes, quando transpomos a porta nós relaxamos. E quando relaxamos, por vezes não entregamos para nossa família a nossa melhor face. Entregamos para a família o nosso fardo, a nossa intolerância, o nosso cansaço, às vezes até mesmo o nosso descaso.

Precisamos, irmãos, reverter isso a cada dia, e lembrarmo-nos de que aquelas pessoas que vivem conosco no ambiente familiar são aquelas que mais precisam de nós. E mais precisam da nossa melhor face. Precisam mais do nosso apreço, do nosso exemplo, da nossa persistência e também da nossa oração.

Às vezes passamos por momentos difíceis no ambiente doméstico. (…) Em algumas circunstâncias o familiar tem apenas uma estratégia para utilizar, a prece.

É importante que dentro do lar aprendamos a cultivar com mais frequência a prece.

A prece individual é sobretudo o mecanismo de ligação da criatura com o Criador, mas a prece no ambiente doméstico, feita de forma coletiva, é um verdadeiro antídoto que nos fortalece contra o mal.

Por vezes não conseguiremos que em nossa casa que todos orem juntos, mas vamos orar por aqueles familiares que estão em maiores dificuldades.

Vamos lembrar que Deus está ao nosso lado sempre querendo nos fazer o bem. Porque assim percebemos a proteção Divina junto a nós.

Então, nos momentos de crise das nossas famílias (…) vamos nos lembrar do poder renovador da prece. Da importância do estudo do Evangelho em família. Da realização desse momento que faz com que o lar ganhe novas energias, ganhe a proteção da espiritualidade que cuida daquela família, que cuida de cada um dos entes daquela família.

As nossas famílias podem se renovar, se fortalecer, utilizando esses dois mecanismos tão simples, mas essenciais no seu dia-a-dia.

Acrescentaria, a algumas das recomendações que nós nos devemos fazer sempre, que a família às vezes precisa utilizar o benefício do silêncio. Quando estamos com o coração carregado, cheio de mágoa, cheio de angústia, saibamos exercitar o silêncio à luz da oração, para que nós nos reequilibremos nos momentos em que temos menores condições de conversar. (…) Às vezes estamos tão desequilibrados, tão desarmonizados que é melhor não falar nada. Deixemos para falar em um outro momento em que estejamos melhores intencionados.

As nossas famílias precisam ser famílias que façam diferença para aqueles ali vivem. (…)

A família, nos lembra André Luiz, é a união de almas em processo de evolução, que é ajuste e aperfeiçoamento. Não temos a família que gostaríamos, não temos a família que merecemos, temos a família de que necessitamos.

Se recebêssemos a família que merecemos provavelmente seriam famílias muito mais difíceis do que aquelas que temos hoje. Porque o nosso merecimento anda bem em débito com a Providência Divina. (…)

Deus nos dá os familiares que nós precisamos para o nosso processo evolutivo.

Hoje quando chegarmos em casa e reencontrarmos nossos familiares, lembremos de agradecer a eles essa oportunidade de reaproximação, de aprendizado mútuo, de aperfeiçoamento constante. Porque são eles que vão nos conduzir no processo de experiência reparadora para harmonia da nossa família de hoje.

É uma escola. Portanto, como escola temos a missão de procurarmos nos esforçar para aprendermos as lições.

Os pais espiritistas, diz-nos Emmanuel, devem compreender que as suas obrigações diante da vida são sagradas. E que, por isso, em muitos casos, eles vão ter a existência toda marcada por renúncia e amor.

A família é o principal templo que temos nos dias atuais. Enquanto formos espíritos em processo de evolução não teremos instituição melhor para nos abrigar do que nossas famílias, mas precisamos nos evangelizar e evangelizar a nossa família. Precisamos levar para dentro do nosso lar as lições maravilhosas que a doutrina espírita nos ensina.

Precisamos levar para o nosso ambiente doméstico a crença de que a reencarnação é, antes de tudo, a exemplificação da misericórdia de Deus para conosco. Que nos dá a oportunidade de aprendermos gradualmente lições que nos elevarão a planos evolutivos cada vez melhores.

Precisamos fazer a transformação que se faz necessária dentro do nosso lar. Para que nossos lares possam ser luzes que se acendam dentro dessa humanidade que se encontra em sofrimento.

Com isso, meus irmãos, não estamos dizendo que nossas famílias são melhores do que as outras, mas são famílias que têm uma responsabilidade diferenciada.

Kardec nos fala que o espiritismo é forte, sobretudo por suas consequências morais. Ele se faz aceito porque toca o coração.

(…) De nada adianta devorarmos os livros espíritas se não conseguimos trazer um pouquinho da vivência para o nosso dia-a-dia.

(…) Sabemos também que Deus nos protege e nos ampara em todos os momentos. E sabemos que temos a bendita oportunidade de crescimento espiritual que só depende do esforço que nós individualmente empreendermos. Porque nossas aquisições espirituais não dependem de ninguém. Dependem apenas de nós.

Como estamos cuidando da nossa família? (…) Oremos com os olhos cheios de amor e compreensão para com aqueles que temos ao nosso lado hoje. Porque eles são os melhores professores na nossa trajetória evolutiva.

Sejamos nós também aqueles espíritos em busca das melhores lições a cada dia, que vão se concretizar dentro do ambiente doméstico, no reduto sagrado do nosso lar.

Finalizando, lembremo-nos da importância de termos a nossa casa sempre preparada para receber a visita de Jesus.

Bezerra de Menezes nos fala que é uma missão das famílias espíritas a colocação do Cristianismo no santuário familiar, Cristianismo esse à luz da doutrina espírita. E para bem fazer temos que, antes de tudo, realizar essa tarefa dentro de nós.

Finalizamos, portanto, com André Luís: “Honre a caridade em sua própria casa, ajudando em primeiro lugar a seus próprios familiares, através do criterioso empenho de suas obrigações, para que você seja, realmente, habilitado a servir ao mundo e à humanidade, hoje e sempre.”

 

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