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Indulgência – Elda Evelina

Indulgência – folheto distribuído (PDF)

Áudio do estudo oferecido – grupoirmaoestevao.org/?resource=indulgencia-elda-evelina

Indulgência

A origem do termo indulgência é indulgentia, palavra latina que significa bondade, para ser gentil, perdão de uma pena.

É uma qualidade humana que representa a bondade e a capacidade de ser tolerante perante as ações ou particularidades de outras pessoas.

Diante desta definição, podemos ampliar nosso olhar sobre o termo, ou o que ele representa, abrangendo a nossa capacidade de conviver com as diversidades existentes à nossa volta.

A busca por encontrar em nós essa qualidade passa, inevitavelmente, pelo autoconhecimento e pela reforma íntima.

Somos geralmente intolerantes com o outro naquilo que diverge do nosso pensar, do nosso sentir, do nosso agir. Sentimo-nos de certa forma “agredidos” quando nos vemos diante de diferenças, sejam elas físicas, filosóficas, religiosas ou políticas.

Quase sempre pensamos que somos donos da verdade, nosso modo de ver a vida é que está certo; as características estruturais do corpo humano devem obedecer a certos padrões definidos pela sociedade; a religião adotada por nós é a que insere a verdade e nos levará à salvação.

Dificilmente temos um olhar gentil para outras formas de ver, de representar e de viver a vida. Costumamos julgar e até mesmo condenar outras pessoas por pensarem, agirem e serem diferentes de nós.

Observamos nossos companheiros de jornada em seus defeitos, ou o que achamos serem defeitos. Intensificamos essas diferenças com comentários insensatos, jocosos e maldizentes.

Quando nos defrontamos com alguém que expõe seu modo de crer com o mesmo ímpeto que o fazemos, dá-se um impasse e queremos ambos impor ao outro a nossa “verdade”.

Se pensarmos bem, poderemos inferir que as pessoas a nos verem também diferentes possam fazer os mesmos julgamentos a respeito de nós mesmos. Por certo, quando chegamos a esse nível de senso crítico é em razão de já termos alcançado um patamar um pouco mais avançado na nossa forma de pensar e já abrimos novos horizontes, porque de certa forma abrimos nosso coração para a possibilidade de alguém poder pensar e agir de forma diversa da nossa.

Em que a indulgência poderá auxiliar-nos nessa caminhada espiritual? Como poderemos começar a ser melhores acolhendo essa qualidade na Alma?

Primeiro precisamos buscar em nós mesmos as razões pelas quais agimos assim, intolerantes.

É o nosso orgulho e vaidade que nos impelem a crer sermos melhores do que os demais. Não aceitarmos as diferenças. É o nosso preconceito atuando na nossa forma de pensar e agir.

Quando salientamos a diversidade de forma negativa, intensificamos nosso preconceito e exacerbamos nossas ações partidárias.

No entanto, quando buscamos, no outro, características positivas e as tornamos evidentes aos demais, além de fortalecermos nas pessoas a vontade de continuar agindo de forma positiva, também abrimos a oportunidade para que outros possam passar a vê-lo de forma diferente a partir daquele momento. Ampliamos o raio de ação da gentileza e da bondade à nossa volta.

Por vezes pensamos já termos alcançado a indulgência, a tolerância, em nossas vidas, para com nós mesmos e para com os demais. No entanto, precisamos prestar atenção ao que realmente poderá estar ocorrendo no íntimo do nosso Ser. Estamos sendo indulgentes ou estamos agindo de forma a parecer sermos indulgentes? Nós nos expressamos de forma tolerante quando conversamos ou expomos alguma opinião, mas interiormente continuamos com um olhar preconceituoso, traçando várias reflexões que ainda condizem com nossa recusa em aceitar as diferenças? É a intolerância que se mantém camuflada dentro de nós.

Se assim for, ainda há muito o que fazer na busca pelo autoconhecimento. Procurar entender o que realmente está ocorrendo em nós; o que de fato já tenhamos alcançado em nossa autotransformação. Precisamos ser honestos com nós mesmos, desenvolver um olhar mais consciente e crítico sobre nosso verdadeiro Ser; abandonarmos as máscaras e olharmo-nos de frente, com rigor, mas também com bondade e retidão de propósitos.

Ao tempo que sejamos críticos, também tenhamos um olhar tolerante, gentil, bondoso. É o deixar emergir da profundeza da Alma todos os nossos deslizes, imperfeições, e sermos indulgentes, pois a bondade proporciona a oportunidade de olharmos para nós mesmos sem medo, sem culpa, sem mágoa. Sendo gentis e tolerantes, nós nos permitimos o olhar profundo.

Reconhecendo nossas imperfeições, com bondade e tolerância, não haverá obstáculos a transpor para o reconhecimento e o arrependimento. São os primeiros passos para um processo evolutivo eficaz.

Quando lemos em o livro O Céu e o Inferno, Código Penal da Vida Futura, pensamos que os passos – arrependimento, expiação e reparação – dizem respeito ao nosso proceder para com nossos companheiros de jornada. No entanto, também precisamos transpor essas etapas com relação às nossas ações para com nós mesmos.

Fazem-se necessários o autoconhecimento, reconhecimento das próprias falhas, arrependimento, expiação e reparação. Nesse processo está presente o autoperdão.

Em mencionando o perdão… Quando elevamos nosso pensamento e pedimos perdão por nossas falhas, o quê realmente estamos rogando ao Pai? Seria o esquecimento dos nossos erros? Certamente não. Não estaríamos, dessa forma, avançando espiritualmente e a elevação moral é a nossa meta, nosso compromisso enquanto Espíritos.

Quando pedimos o perdão por nossos desvios, não cumprimento das Leis Divinas, esperamos ser beneficiados pela lucidez, determinação, graça de encontrarmos nosso caminho de retidão, não mais reincidindo nos erros. A força para caminhar por novas sendas, tendo como sustentação o amor e a obediência; abrimo-nos ao arrependimento e teremos como meta uma jornada de reparação.

Ao nos encontrarmos com nós mesmos melhores, estaremos também em condições de contemplarmos nossos companheiros de jornada de forma afável, fraterna. Seremos gentis e teremos bondade em nossos corações.

A indulgência terá feito morada na Alma que habita em nossos corpos.