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Páscoa – Elda Evelina

Link para a publicação do áudio – http://www.grupoirmaoestevao.org/?resource=pascoa-historia-e-celebracao-elda-evelina

Texto distribuído por ocasião do estudo oferecido no GFEIE em 25 de março

A celebração da Páscoa existe há muitos séculos, podemos afirmar que é milenar.

Há muitas lendas que nos remetem a interpretá-las como sendo referências a ritos de passagem, como sendo a Páscoa. Essas lendas surgem em regiões onde o inverno é extremamente rigoroso, a vegetação coberta pela neve e quase não há a luz do sol.

A passagem da estação do inverno para a primavera proporciona a sensação de uma nova esperança pelo ressurgimento do vigor da natureza, possibilitando o reaparecimento das flores, dos frutos; os animais voltam a se movimentar pelos campos e o calor do sol dá novo ânimo para o movimento da vida.

Esse momento de beleza e esperança promove o processo criativo e leva alguns povos a imaginarem histórias que simbolizam esse processo de transformação para a expectativa de um novo despertar.

Em uma dessas lendas encontramos o simbolismo que explica a cultura da distribuição de ovos decorados por ocasião da entrada da nova estação, por ocasião do equinócio da Primavera – momento em que o Sol incide com maior intensidade na linha do Equador e de igual maneira sobre o hemisfério norte e sobre o hemisfério sul..(1)

A Páscoa judaica e a Cristã têm representações bem diferentes e não poderia deixar de mencioná-las, por ter significação importante entre vários povos da Humanidade terrena.

Os hebreus já tinham em sua cultura os seus ritos, conforme consta do livro Êxodo 12:1 a 11 – a primeira referência bíblica à Pascoa:

“Ora, o Senhor falou a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo:

Este mês será para vós o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano.

Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Ao décimo dia deste mês tomará cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família.

Mas se a família for pequena demais para um cordeiro, tomá-lo-á juntamente com o vizinho mais próximo de sua casa, conforme o número de almas; conforme ao comer de cada um, fareis a conta para o cordeiro.

(…)

Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.”

Também encontramos em Êxodo 23:15:

“A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás pães ázimos como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito;”

A celebração mencionada no livro Êxodo do Velho Testamento (acima transcrito), foi denominada como a Páscoa do Senhor. Foi instituída na noite que antecedeu à ordem, pelo Faraó, de liberação do povo que estivera escravizado no Egito, durante aproximadamente 400 anos. Esta libertação é lembrada com muita intensidade, durando as celebrações da Páscoa por uma semana.

Quando da entrada de Jesus em Jerusalém, iniciava-se a semana da Páscoa entre os judeus. É celebrada no mês de Nissan (mês de abril do nosso calendário). Esta seria a última Páscoa de que Jesus participaria.

A celebração da Páscoa era complexa. O pão ázimo deveria ser embebido em líquido amargo antes de comê-lo. Era uma forma de serem lembradas as experiências difíceis vivenciadas no Egito, por ocasião da escravidão.

A chamada última ceia, ou Santa Ceia, foi a celebração da Páscoa por Jesus e seus discípulos. Esta passagem é de suma importância, principalmente porque ali Jesus transmitiu várias orientações e proporcionou profundos ensinamentos a seus discípulos e, por decorrência, a todos nós.

Jesus de forma humilde mostra-se como servo em demonstração de amor.

Lavou os pés dos discípulos e enxugou-os em a toalha com que envolvera o seu corpo.

Com ternura e emoção, sentiu seu rosto molhado pelas lágrimas, não de sofrimento, mas de felicidade.

O ato simples, mas de grande significado, oferece uma mensagem que emociona. Prestativo e silencioso servira a seus discípulos, colocando-se como humilde servo. Disse-lhes ele em certo momento:

“Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros.” (João 13: 13 e 14)

Diz-se que a noite se mostrava salpicada de estrelas, como cristais luminosos.

Cânticos e Salmos, de acordo com a tradição.

Um vento suave penetra o cenáculo. Melodia entoada por um coral invisível se faz presente. O ambiente como se expande ao infinito.

Recomenda Jesus a seus discípulos:

” Em verdade, em verdade vos digo: Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as praticares.” (João 13;20)

Disse-lhes, ainda:

“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como eu vos amei a vós, que também vós vos ameis uns aos outros.

Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos. Se tiverdes amor uns aos outros.” (João 13:34 e 35)

Ainda com relação à última ceia, gostaríamos de dar ênfase à passagem contida no Evangelho de Lucas 22:19 e 20:

“E tomou um pão, deu graças, partiu e deu-o a eles, dizendo: Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória. E, depois de comer, fez o mesmo com a taça, dizendo: Essa taça é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós.”

Entendemos ser um chamamento à oração – dar graças. Expressar a gratidão pelo pão à mesa, em memória do Mestre. Sabemos que ao orar somos envolvidos por energias benéficas, salutares. Podemos interpretar como sendo a busca pelo alimento espiritual ao tempo em que nos alimentamos para a sustentação do corpo físico.

A versão atual da Páscoa, entre os cristãos, surge algum tempo após a morte de Jesus e sua ressurreição. É com a consciência da importância que teve a passagem do Mestre entre nós, os ensinamentos que Ele nos deixou e o despertamento de que somos, na essência, seres imortais. Deixou-nos Ele a percepção de sermos espíritos eternos.

Hoje, os Cristãos – católicos e protestantes – oficiam a Páscoa como celebração à ressurreição de Jesus, o Ser Crístico, Salvador da humanidade.

Para os Católicos e Protestantes, Jesus é o Salvador por ter morrido na cruz, em cumprimento às profecias. Salvar seus fiéis seguidores, através do derramamento do seu sangue.

Para o Espiritismo, no entanto Jesus, o Cristo, é o Grande Mestre, nosso modelo e guia, como está em o Livro dos Espíritos, na questão 625: Qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo? “Jesus.”. Veio ensinar-nos, a toda a Humanidade, o caminho da salvação – evolução espiritual e atingimento à condição de Espírito Puro vindo então a poder habitar o Mundo Celeste ou Divino. Proporcionar a nós a consciência de que devemos buscar o autoconhecimento; proceder à nossa caminhada de forma a alcançar a plenitude como Espíritos que somos; corrigir nossas falhas e encontrarmo-nos com Deus, ao atingirmos a condição de espíritos que não mais necessitam reencarnar.

Nós espíritas não comemoramos a Páscoa, institucionalmente falando. Não há festividades relacionadas a esta data.

No entanto, respeitamos todas as formas com que a Páscoa é comemorada, tanto pelos judeus, católicos, protestantes, como também pelos evangélicos.

Importante valorizarmos a lembrança de que os judeus tenham sido libertos da escravidão no Egito; o recebimento das Tábuas da Lei – os Dez Mandamentos – que, por ser um código “… de todos os tempos e de todos os países essa lei e tem, por isso mesmo, caráter divino”. (ESE Cap. I, item 2); a ressurreição de Jesus, que representa a vitória sobre a morte do corpo físico, anuncia a imortalidade e a sobrevivência do Espírito em outra dimensão da vida.

Vale ressaltar que os discípulos do Mestre se viram expressivamente transformados após sua ressurreição, conscientizando-se de que o amor e a justiça regem o ser além do túmulo.

Tomando como referência as passagens contidas no Evangelho Segundo o Espiritismo Cap. XVII, item 4, a Páscoa, como princípio da transformação moral, nós espíritas devemos comemorá-la todos os dias, no esforço diuturno de vivenciar o Evangelho de Jesus, o Cristo.

“… o verdadeiro espírita, como o cristão verdadeiro, pois que um o mesmo é que outro.”

“Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.”

Lembrando o testemunho de Paulo em Gálatas 2:20:

Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.”

A Páscoa, como podemos observar, tem grande importância para grande parte dos povos que habitam a Terra, cada a um a seu próprio modo.

Estejamos nós conscientes da necessidade de buscarmos, como nos orienta a Doutrina Espírita, nossa transformação pessoal, a partir do autoconhecimento, da reforma íntima.

Poder dizer como o apóstolo Paulo: “e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim;

 

  • Conta uma lenda que Eostre, ou Ostara era uma deusa relacionada à aurora e associada à luz crescente da Primavera, quando trazia bênçãos à Terra. Bom lembrar que a região, de onde se origina a lenda, passa pela estação do Inverno em condições difíceis, pelo frio extremo. Para esses povos, profundamente prazerosa é a chegada da Primavera, como a proporcionar novamente a vida a todos os seres.De momento, este encantamento alegrou as crianças. No entanto, estas observaram, ao longo de um tempo, que a lebre não estava feliz com a transformação, pois não mais podia voar.Assim fez. Quando chegou a Primavera ela alcançou seu intento e deu à lebre a oportunidade de se expressar na forma de pássaro, como em sua origem, apenas por algum tempo.Eostre reconheceu a sua ingenuidade e tolice ao interferir no livre-arbítrio de alguém

 

  1. Enquanto na forma de pássaro, agradecido, ele botou alguns ovos em homenagem a Eostre. Em celebração à sua liberdade e às crianças que haviam pedido sua libertação, pintou os ovos e os distribuiu pelo mundo, já em forma de lebre. (*)
  2. Pediram então, à Eostre, que desfizesse o encantamento, mas ela não conseguiu. Sentiu que seus poderes estavam enfraquecidos pelo Inverno. Disse então que esperaria o retorno da Primavera, quando teria novamente seus poderes revitalizados.
  3. Um dia Eostre estava sentada em um jardim acompanhada de muitas crianças, suas companheiras preferidas pelas quais tinha especial afeto. Era por elas seguida e adorava cantar e entretê-las com sua magia. Em certo momento, um pássaro voou sobre elas e pousou na mão da deusa. Esta, dizendo algumas palavras mágicas, transformou-o em uma lebre, animal favorito de Eostre.

(*) na nossa cultura assumiu-se a figura do Coelho.