Três inimigos – Palestra de Paulo Meireles

Imagem para palestrasTranscrição de parte da palestra proferida por Paulo Meireles, no dia 8 de agosto de 2014, no Grupo da Fraternidade Espírita Irmão Estêvão. Estudo baseado no livro “Desperta e seja feliz”, de Joanna de Ângelis, por Divaldo Franco.
É importante ouvir a palestra na íntegra porque nos proporciona oportunidade de grandes e importantes reflexões a respeito de três grandes adversários de que precisamos aprender a nos defender.

Áudio da palestra proferida por Paulo Fernando (mp3) – Paulo Fernando-3 Inimigos-palestra

separadores-peq

“As leis da vida maior são leis de paz, de harmonia, de equilíbrio. Porém, dada à busca pelo progresso espiritual que pouco ainda realizamos por sermos ainda espíritos muito iniciantes na senda do Senhor, inúmeros adversários há que trabalham contra a nossa paz.
Iremos destacar três desses adversários que são caracterizados pela crueldade com que assomam o nosso psiquismo interior e nos levam a desequilíbrios os mais desastrosos possíveis.
Pessoas de bom ânimo, de vontade enobrecida, dispostos a verdadeiramente servir ao bem, caem indefesos, vítimas de suas armadilhas, que chegam, muitas das vezes, como nuvem sutis, porém pestilentas, a nos envolver e que passamos, inconscientemente , a aspirar aquele tóxico que contamina o nosso coração e a nossa mente deixando-nos enfermiços, perturbando todo o nosso equilíbrio interior.
Estou me referindo à depressão, ao ressentimento e à exaltação.
Quando os problemas da vida formam um cerco que parece ser intransponível, aquelas pessoas de temperamento mais delicado, de constituição emocional mais delicada, acabam por se deixarem levar pelo desânimo, pelo desalento, pelo desencanto, com a vida.
Esse processo confunde-se, até, com a própria indolência natural que nós temos numa manhã se segunda-feira, por exemplo, para levantar e irmos ao trabalho. (…) Mas, na pessoa que se deixa gradativamente envolver, ela vai além de uma preguiça, ela vai além de uma indolência.
Ela vai aos poucos perdendo a capacidade de ver o brilho nas pequenas coisas da vida. Ela começa a se deixar desencantar com o dia que está nascendo para ela.
O pessimismo começa a tornar-se cada vez mais presente nos seus pensamentos e na sua atitude, diante de si e diante do mundo.
E eis que, sem perceber, como quem a rolar-se ladeira abaixo, uma pessoa vítima da depressão chega ao cúmulo de ter as suas funções vitais paralisadas.
Casos frequentes são relatados pela medicina que até o sistema digestivo deixa de funcionar tamanho o grau avançado de depressão em que aquela pessoa, aquele paciente se encontra. E todos nós estamos, de uma maneira ou de outra, a ser vítima desse cruel adversário.
Aquele de temperamento mais sensível tem um pouco mais de disposição, mas nenhum de nós está imune a esse tipo de calamidade psíquica.
Por isso já recomendava o nosso queridíssimo Mestre Jesus que devemos ter, como rotina de profilaxia na nossa vida, a prática de orar e vigiar.
A oração, como nós sabemos bem, é o portal que nos liga à espiritualidade superior. É o cordão umbilical sublime que nos liga ao nosso Criador.
Através da oração sincera, emocional, entramos em comunhão com o nosso Pai Celeste. E por esse canal estabelecido, durante a oração recebemos o alimento sublime para a nossa Alma. O pão espiritual de que tanto carecemos para termos um equilíbrio psicológico sadio nos nossos embates, nos nossos desafios rotineiros da vida.
Portanto, a oração nos coloca no estado mais imunizado contra ataques desse tipo. Porque, como estamos todos nós sujeitos às vicissitudes típicas de um Planeta de Provas e Expiações, já que todos estamos obrigados, pelos mecanismos das Leis Divinas, a colhermos o que voluntariamente plantamos, todos nós, sem exceção, somos confrontados com os espinhos do caminho.
Em determinadas épocas da nossa vida parece que esses espinhos se intensificam a ferir-nos a carne espiritual. E aí a oração é fonte de um sentimento que é essencial para atravessarmos, sem maiores sofrimentos, esses desafios que a vida nos impõe. É a coragem, fruto da fé vida. A coragem resultante da certeza plena e absoluta de que não estamos desamparados nessa existência. Que por mais que sejam agudos os sofrimentos que venhamos a atravessar, a certeza de que Deus está ao nosso lado, nos amparando, nos guiando, nos fortalecendo, é essa a coragem de que necessitamos para atravessar as mais sombrias provas.
Então, ao invés de sermos assaltados pela depressão, como se em um belo dia de sol a noite chegasse de forma inesperada, nós temos da oração, na fé, a força necessária para seguirmos adiante.
Não que nossos problemas deixarão de existir, pelo contrário, por estarmos comprometidos com a nossa renovação espiritual, por termos feito juras de não repetir mais os erros do passado e de resgatarmos todo o prejuízo que causamos, através do bem e do sofrimento suportado com resignação, com certeza teremos provas intensas para atravessar.
Mas, é muito diferente sofrer sem amparo do que sofrer sabendo que estamos sendo acolhidos.
Porque quando sofremos sem amparo, além de toda essa carga emocional pesada que já citamos, temos para agastar-nos ainda mais aquela sensação de desespero.
O sofrimento sem conforto espiritual é profundamente desesperador. Porque não vemos fim, não vemos alívio, não vemos sequer o propósito de tudo aquilo que estamos passando. Sentimo-nos como se fôssemos abandonados por tudo e por todos. Daí essa apatia, essa prostração, esse desejo de não mais viver.
A fé viva é o antídoto perfeito para todos esses sentimentos.
E a outra virtude que Jesus nos recomendou, a vigilância. Porque, como já citamos, salvo os casos onde somos pegos de surpresa, um acontecimento terrivelmente grave, em todos os demais a depressão instala-se lentamente, por isso a vigilância.
Precisamos desenvolver o hábito de nos observarmos. De termos consciência dos nossos pensamentos, dos nossos atos, de entender o que nos motiva. Qual a minha motivação para trabalhar? Qual a minha motivação para formar uma família? Qual é a minha motivação de vir em uma sexta-feira fria, à noite, tomar um passe? Qual é a minha motivação quando sou ofendido no ambiente de trabalho e revido a agressão recebida? O quê me motivou a agir assim? Esta é a vigilância. (…)”

No comments yet.

Leave a replyReset all fields